segunda-feira, 10 de junho de 2013

Eu, lésbica e apaixonada

Você pode escolher um lindo vestido para ir à uma festa, seus sapatos, uma bolsa que combine. Pode ir ao shopping e comprar uma infinidade roupas e esmaltes de cores diferentes que nunca vai usar. Você pode escolher sair, viajar ou ficar em casa. Ir à praia com suas amigas. Comer chocolate escondida numa noite de uma terça, depois de começar um regime - pois, convenhamos: que mulher sobrevive vinte e quatro horas sem um pedacinho dessa tentação proibida? - Pode escolher enganar a si mesma, e aos outros, dizendo que esta bem e ficar no quarto vendo comédias românticas se entupindo de sorvete enquanto chora decidida a ser mais determinada na próxima segunda-feira. 
 Há uma infinidade de opções, mas o amor, esse não se escolhe. Não interessa a forma como ele baterá sua porta, apenas entenda que ele não será educado. Entrará na sua vida e se instalará na sua casa, esteja ou não preparada para ele, e acredite: o amor não distingue gêneros, apenas toma conta dos seus sentimentos. Se você cuidar dele, ele cuidará de você, enfrentará todo e qualquer obstáculo com o único intuito de fazê-la feliz. Agora, se você negá-lo, ele te negará. Permanecerá ali, mas não lhe ajudará. Tornar-se-á uma criança birrenta, fará suas travessuras, baterá os pés no chão e cruzará os braços com lagrimas no rosto e os olhos vermelhos: eu quero, eu quero, e eu quero. Odeio você.  Ele conhecerá suas fraquezas, e não se engane, pois o amor é egoísta quando quer. 
 Há algum tempo o amor bateu à minha porta, e ele veio numa forma que eu jamais esperaria, não apenas outra mulher - o que sequer sonhei um dia -, o amor estava personificado na minha melhor amiga. Quando nos conhecemos, ela enfrentava uma situação muito triste, daquelas que não se deseja ao pior inimigo. Por compaixão, mesmo que naquele momento fossemos estranhas, eu fiquei ao lado dela, e logo seus sofrimentos se tornaram meus, também; dividimos a dor e a tristeza. Foi neste instante que nos tornamos amigas inseparáveis. Momentos mais tristes vieram em seguida e ficamos fortes, nos tornamos apoio incondicional uma da outra. 
  Fomos morar juntas, e vivemos dois anos dividindo despesas de um pequeno apartamento, apoiando uma à outra nos dias bons e ruins. Somente após dois anos, quando nossas vidas estavam entrando nos trilhos, o amor nos pegou, desprevenidas, e, como um furacão, virou nossas vidas para o ar. Mas não o rejeitamos, nós duas estávamos certas de que éramos almas gêmeas, e o aceitamos mesmo que nenhuma tivesse experiência, e não termos compreendido ao certo, o que aquilo significava. Acho que o amor é assim, quando ele bate a sua porta, se você tratá-lo bem, ele cuidará de você. 
 Desde o primeiro dia não escondemos de ninguém sobre nós. Muitas pessoas se afastaram, mas não reclamo. Agora sei quem são os verdadeiros amigos. Sim, doeu bastante na época, mas hoje, mais do que nunca, sei que foi nossa melhor decisão. Eu prefiro deixar claro que sou lésbica, pois, assim, mantenho pessoas preconceituosas longe de mim e do meu amor. Existem bilhões de pessoas no mundo e, por Deus, não preciso manter por perto quem não me aceita. Simples assim.

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