Eu sou um homem que sente amor platônico
por mulheres que amam outras mulheres - não, não é fetiche, mas já chego lá.
Tudo começou quando eu perdi minha virgindade no auge da adolescência. Naquela
época eu era o arroz de festa (aquele
cara que só serve para acompanhar), e numa noite qualquer, lá estava eu com meus
amigos numa festa qualquer, quando caí nas graças de uma mulher alguns anos
mais velha. Ela namorava uma garota, e essa garota a traiu com um homem. Irritada
e vingativa, pegou o primeiro homem que apareceu na sua frente. Por sorte, era
eu. E, naquela noite, tive minha primeira relação sexual. Desde então elas
fazem parte da minha vida. Quase toda mulher que eu me relaciono - amigável e
amorosamente - ou é lésbica ou é bissexual. Depois, quando escrevi meu livro
cujas protagonistas são lésbicas, conheci um tanto outro de mulheres que amam
mulheres, algumas das quais tive o prazer de me tornar amigo, como é o caso da
Marquesa. Nesse tempo todo, aprendi que a relação entre os homens e essas
mulheres é um tanto conturbada. A maioria de nós, homens, ao se deparar com um
casal de lésbicas, quando não têm preconceito, acredita que elas estão juntas
apenas para satisfazer algum fetiche nosso, e não porque são dois seres humanos
que se amam. São muito claras as segundas intenções, quando eles apoiam o
relacionamento gay entre mulheres,
mas nunca defenderam a união de dois homens. Nada errado em ter fetiche com
duas mulheres, ou uma mulher com dois homens, ou qualquer outro fetiche, desde
que seja consensual entre as partes. O problema é o preconceito e a hipocrisia
embutido nas atitudes. É lamentável. As pessoas parecem respeitar as outras
somente quando lhes é conveniente, isso me cansa. E acho que por isso que tenho
tanta dificuldade em ter uma vida social normal. Mas no geral, eu acho que as
mulheres e homens bissexuais são mais interessantes para conversar, de certa
forma, por se relacionarem com ambos os sexos de forma mais íntima, eles têm
uma visão diferente de mundo, mais ampla e completa. Já o amor entre duas
mulheres, sempre me pareceu mais verdadeiro, mais puro, quase divido. E digo
amor, de amor, mesmo. E não um eufemismo para a relação sexual entre elas. Enfim, acho que isso resume minha história.
[Morini]

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