É marca patenteada das mulheres o segredo de suas
conversas quando se juntam em bando. Segredo que nenhum homem conhece e isso
inclui a mim. Não conheço os segredos
que permeiam as conversas femininas, mas sei de algumas masculinas. Quando
homens se reúnem para beber e conversar, longe das vistas e ouvidos das mulheres, um
tópico sempre vem à tona: prostitutas.
Assunto que causa opiniões
divergentes entre os machos alfas. Sim,
porque quando se fala de mulher todo homem é o conquistador, um dom Juan, são poucos os que admitem que
não tenham jeito com mulheres. Bem, e nos jogos de sedução, com tantos alfas, eu sou um beta. No começo da minha adolescência, porque eu era demasiadamente
tímido, nem um pouco bonito e estava longe de ter alguma qualidade de interesse
das meninas (música, futebol, desenho, essas coisas). Agora não sou mais tímido
e tenho uma aparência normal - que não se destaca pela feiura ou pela beleza -,
e eu gosto disso. Como nunca fui bonito, tive que aprender um pouco sobre o
mundo feminino para ter direito à minha cota de mulheres. E as tive.
O fato é que, com o tempo,
enquanto eu passava da primeira idade para a segunda[i], os
jogos de conquista tornaram-se pedantes pra mim. Enquanto meu corpo mantinha-se
com a idade de todas minhas primaveras, outonos, verões e invernos que já
vivera, minha cabeça envelhecera com mais rapidez. E eu, às vezes, comporto-me
como um velho ranzinza, chato e implicante. E com minha velhice psicológica,
parei de tentar impressionar as pessoas ou tentar fazê-las aceitar meus pontos
de vista mutáveis. Tornei-me solitário porque não exijo que ninguém ceda aos
meus caprichos ou implicâncias. Fique o tempo que quiser, mas não tente me
forçar a ser o que não quero. Se for para mudar, eu mudarei, mas irei com o
vento. E por parar de tentar ser igual
aos outros, passei a ter minhas opiniões, ainda que contra o pseudomoralismo da
maioria.
E quando este assunto tão
peculiar sobre as putas entre em cena, tenho um ponto de vista distinto de meus
colegas e amigos - e parece que sou o único a pensar assim, acho que nem elas
próprias entendem minha opinião -. Alguns homens pensam que transar com uma
prostituta é ofensivo à sua condição de macho
alfa, pois são conquistadores natos e não precisam pagar por sexo,
conseguem sua própria carne fresca
numa balada qualquer. Outros acham que toda mulher cobra por sexo e algumas, as
putas, apenas sabem negociar o preço, por isso não veem problema algum em
usufruir de seus serviços. E um pequeno grupo, que preocupado com a própria
saúde, teme pegar alguma doença, não faz sexo pago (Estou excluindo dessa conta
os homens compromissados e fieis às suas companheiras). Eu discordo concordando com todas essas
opiniões, e não sigo nenhuma delas.
Eu não diferencio mulheres-putas de mulheres-não-putas, pra mim, são mulheres, e sempre as tratos com o
máximo de cordialidade possível. Não que eu seja um exímio cavalheiro, longe
disso, tenho meus defeitos, mas não destrato uma mulher com base no que ela faz
ou cobra para fazer. E sim, eu conheço algumas prostitutas, talvez mais do que
um homem deva admitir conhecer. A
verdade é que eu gosto de conhecer pessoas, de conversar, saber da história de
vida delas, saber o que há por trás do rótulo social que elas carregam. E
quando maior o rótulo, mais eu sou atraído a ser amigável com essas pessoas. E
não só as putas, todos nós carregamos alguns rótulos. Nada errado nisto, desde
que você saiba ver e se mostrar além deles.
Puta ou não, toda mulher deseja
ser amada, querida e admirada. Putas são mulheres com filhos; São filhas sem
pais, com pais violentos ou que não se importaram o suficiente com elas; Putas
são mulheres que precisam do dinheiro para sobreviver (e não me parece um dinheiro
tão fácil como muitos dizem); Putas são mulheres que fazem o que fazem, porque
gostam de fazer (e qual o mal nisso?). As razões são infinitas, mas, para mim,
putas são mulheres (e ponto), algo que, por si, faz eu as respeitá-las tanto
quanto respeito outras mulheres.
Não gosto dos termos puta,
prostituta ou garota de programa. Assim como não gosto de qualquer termo que
sirva como venda aos olhos, uma receita automática de ideias. Essas receitas
parecem servir como carta branca para
você destratar outras pessoas. Ela é só
uma puta, você não precisa ser legal, pois ela só quer seu dinheiro, um
conhecido me disse. Eu, ao contrário
dele, vejo isso como um benefício. Existe uma honestidade absurda nessa
relação. Uma relação mais verdadeira que muitos casais. Gosto disso. O
problema é que a maioria das pessoas prefere viver em um mundo de mentiras
fáceis, onde putas são apenas putas, e mulheres, seres inferiores aos
homens.
Putas ou não, eu prefiro fazer
sexo com mulheres que me despertam o interesse nelas, no que elas são debaixo
de todas as máscaras - nunca somente pelo seu corpo. Hoje, como velho ranzinza
que sou, no auge dos meus vinte e sete anos, eu não preciso impressionar meus
amigos comendo muitas mulheres, e nem
impressionar a sociedade sendo fiel a uma mulher, casando e tendo filhos. Gosto
de conhecer pessoas, mas sou apegado demais à solidão. Eu sou um homem de
amores platônicos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário