terça-feira, 28 de maio de 2013

Elas, as putas



É marca patenteada das mulheres o segredo de suas conversas quando se juntam em bando. Segredo que nenhum homem conhece e isso inclui a mim.  Não conheço os segredos que permeiam as conversas femininas, mas sei de algumas masculinas. Quando homens se reúnem para beber e conversar, longe das vistas e ouvidos das mulheres, um tópico sempre vem à tona: prostitutas.

Assunto que causa opiniões divergentes entre os machos alfas. Sim, porque quando se fala de mulher todo homem é o conquistador, um dom Juan, são poucos os que admitem que não tenham jeito com mulheres. Bem, e nos jogos de sedução, com tantos alfas, eu sou um beta. No começo da minha adolescência, porque eu era demasiadamente tímido, nem um pouco bonito e estava longe de ter alguma qualidade de interesse das meninas (música, futebol, desenho, essas coisas). Agora não sou mais tímido e tenho uma aparência normal - que não se destaca pela feiura ou pela beleza -, e eu gosto disso. Como nunca fui bonito, tive que aprender um pouco sobre o mundo feminino para ter direito à minha cota de mulheres. E as tive.

O fato é que, com o tempo, enquanto eu passava da primeira idade para a segunda[i], os jogos de conquista tornaram-se pedantes pra mim. Enquanto meu corpo mantinha-se com a idade de todas minhas primaveras, outonos, verões e invernos que já vivera, minha cabeça envelhecera com mais rapidez. E eu, às vezes, comporto-me como um velho ranzinza, chato e implicante. E com minha velhice psicológica, parei de tentar impressionar as pessoas ou tentar fazê-las aceitar meus pontos de vista mutáveis. Tornei-me solitário porque não exijo que ninguém ceda aos meus caprichos ou implicâncias. Fique o tempo que quiser, mas não tente me forçar a ser o que não quero. Se for para mudar, eu mudarei, mas irei com o vento.  E por parar de tentar ser igual aos outros, passei a ter minhas opiniões, ainda que contra o pseudomoralismo da maioria. 

E quando este assunto tão peculiar sobre as putas entre em cena, tenho um ponto de vista distinto de meus colegas e amigos - e parece que sou o único a pensar assim, acho que nem elas próprias entendem minha opinião -. Alguns homens pensam que transar com uma prostituta é ofensivo à sua condição de macho alfa, pois são conquistadores natos e não precisam pagar por sexo, conseguem sua própria carne fresca numa balada qualquer. Outros acham que toda mulher cobra por sexo e algumas, as putas, apenas sabem negociar o preço, por isso não veem problema algum em usufruir de seus serviços. E um pequeno grupo, que preocupado com a própria saúde, teme pegar alguma doença, não faz sexo pago (Estou excluindo dessa conta os homens compromissados e fieis às suas companheiras).  Eu discordo concordando com todas essas opiniões, e não sigo nenhuma delas. 

Eu não diferencio mulheres-putas de mulheres-não-putas, pra mim, são mulheres, e sempre as tratos com o máximo de cordialidade possível. Não que eu seja um exímio cavalheiro, longe disso, tenho meus defeitos, mas não destrato uma mulher com base no que ela faz ou cobra para fazer. E sim, eu conheço algumas prostitutas, talvez mais do que um homem deva admitir conhecer.  A verdade é que eu gosto de conhecer pessoas, de conversar, saber da história de vida delas, saber o que há por trás do rótulo social que elas carregam. E quando maior o rótulo, mais eu sou atraído a ser amigável com essas pessoas. E não só as putas, todos nós carregamos alguns rótulos. Nada errado nisto, desde que você saiba ver e se mostrar além deles.

Puta ou não, toda mulher deseja ser amada, querida e admirada. Putas são mulheres com filhos; São filhas sem pais, com pais violentos ou que não se importaram o suficiente com elas; Putas são mulheres que precisam do dinheiro para sobreviver (e não me parece um dinheiro tão fácil como muitos dizem); Putas são mulheres que fazem o que fazem, porque gostam de fazer (e qual o mal nisso?). As razões são infinitas, mas, para mim, putas são mulheres (e ponto), algo que, por si, faz eu as respeitá-las tanto quanto respeito outras mulheres.

Não gosto dos termos puta, prostituta ou garota de programa. Assim como não gosto de qualquer termo que sirva como venda aos olhos, uma receita automática de ideias. Essas receitas parecem servir como carta branca para você destratar outras pessoas. Ela é só uma puta, você não precisa ser legal, pois ela só quer seu dinheiro, um conhecido me disse.  Eu, ao contrário dele, vejo isso como um benefício. Existe uma honestidade absurda nessa relação.  Uma relação mais verdadeira que muitos casais. Gosto disso. O problema é que a maioria das pessoas prefere viver em um mundo de mentiras fáceis, onde putas são apenas putas, e mulheres, seres inferiores aos homens. 

Putas ou não, eu prefiro fazer sexo com mulheres que me despertam o interesse nelas, no que elas são debaixo de todas as máscaras - nunca somente pelo seu corpo. Hoje, como velho ranzinza que sou, no auge dos meus vinte e sete anos, eu não preciso impressionar meus amigos comendo muitas mulheres, e nem impressionar a sociedade sendo fiel a uma mulher, casando e tendo filhos. Gosto de conhecer pessoas, mas sou apegado demais à solidão. Eu sou um homem de amores platônicos.



 [i] Na minha concepção, primeira, segunda e terceira idade, são uma média da expectativa de vida. No Brasil, 72 anos. Assim, a primeira idade vai (mais ou menos) do nascimento aos 24 anos, a segunda, dos 24 aos 48 anos, e a terceira dos 48 aos 72 anos de idade. Acima disso é hora extra.

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